Bastidores da Power Glove – MANOPLA DA NINTENDO para Jogos

Ah Acessórios, cada console já teve o seu, alguns bizarros, outros revolucionários, isso não foi diferente com o NES da Nintendo, mas em 1989, estaríamos para ver um dos mais conhecidos acessórios da nintendo para o NES, sim, está manopla atravessou o tempo, e muitos naquela época acreditaram que com isso estariam experimentando o futuro dos jogos.

A Power Glove, ou traduzida para, “A Luva do Poder”.

A Luva, ou o que podemos chamar aqui de manopla para não perdermos a brincadeira, foi realmente VANGUARDISTA, realmente a frente do seu tempo, não existia nada igual para games.

A Manopla estava recebendo propaganda pesada para a divulgação do acessório, por toda terra do Tio Sam, Europa e Asia, apareceu até em um filme com atores renomados de Hollywood e o policial robô mais famoso do mundo, Robocop como divulgação no japão.

Em seus comerciais, entendemos que a proposta é de total integração da luva em qualquer jogo, não se limitando a jogos como boxe, escolha de itens, agarrar e soltar, e outros similares, estamos falando realmente de uma super luva, vamos continuar a chamando de manopla, sim, era a Manopla do Poder.

Se tivemos kinect e nintendo wii, revolucionando os jogos sem os controles tradicionais, temos que agradecer muito essas tentativas de empresas como a nossa manoplinha, pois o lixo de um, pode ser o ouro de outro, por mais que não tenham dado certo, é legal celebrar a coragem e ousadia, e sua tecnologia não é perdida, ela pode ser usada num futuro próximo só que de forma diferente.

Tudo na época indicava que a Luv… a Manopla seria um incrível sucesso, mas ficou na história como um acessório que é sim motivo de zombaria por muitos jogadores e midia especializada.

Vamos ver neste video rapidamente, como um acessório usado pela NASA, de mais de 10 mil dólares que foi convertido para 75$ dolares para serem vendidas em supermercados, acabou fracassando.

Você poderia fazer um montão de coisas com a manoplinha, desde se tornar um boxer ou um pianista renomado.

A luva foi licenciada pela Nintendo, mas não foi fabricada por ela (meme inteligência).

Quem ficou responsável pela fabricação foi a Mattel, sim a dona dos direitos da barbie, hotwheels e outros brinquedos, a Mattel não estava sozinha na fabricação, uma empresa menor chamada PAX também ficou responsável por isso.

Mas o inventor da tecnologia, não foi nenhum dos 3, mas sim a empresa de pesquisa de tecnologia chamada de VPL, fundada por um cara chamado Thomas Zimmerman, ele inicialmente criou a Data Glove, ou que pode ser traduzido para a Luva de Dados.

Essa Data Glove, era uma luva mais indicada para criar música no computador, Thomas se inspirou nos regentes de orquestra, e fez um protótipo com uma luva normal tradicional ligado por pequenos tubinhos nos dedos.

Isso tudo chamou bastante a atenção da Atari, mas eles ofereceram pouco dinheiro para prosseguir com o projeto, então Zimerman junto de um funcionário da Atari que ele conheceu chamado Jaron Lanier, saíram da empresa (meme de saída) e fundaram a VPL Pesquisa.

A VPL foi uma das primeiras empresas em testes para melhorar uma Data Glove, a por exemplo criar e utilizar um óculos 3D para auxiliar no uso da luvinha.

Com o barulho das criações no ambiente academico, não demorou muito tempo para instituições como a NASA e o MIT solicitarem alguns para utilizar também, seja para treinamento, pesquisa ou simplesmente mostrar para a comunidade.

Uma licenciadora chamada AGE, a Abrams e Gentile, que era uma empresa familiar, acharam muito interessante e compraram os direitos da luvinha para jogos e afins, já mirando o futuro em que poderiam licenciar, ou seja, cobrar um aluguel da tecnologia para grandes empresas do mundo dos jogos.

AGE que já era famosa no mercado por licenciar brinquedos, como do primeiro filme do RAMBO com Stallone, estava querendo ampliar seu sucesso para uma próxima nova cartada.

AGE queria fazer uma parceria para transformar a DATA GLOVE em uma Manopla para games, como um console, a primeira tentativa de parceria era a HASBRO, sim, que hoje tem a licença dos vingadores, mas não deu certo, porque a HASBRO tinha acordos com a Nintendo para GI JOE e então a HASBRO caiu fora.

AGE tentou então com a Mattel e deu certo, a Mattel ficou responsável em transformar a Data Glove em uma manoplinha para jogar, mas como acessório para o NES.

Tudo foi resolvido em uma reunião só, Chris Gentile levou o jogo Mike Tysons Punch Out para a então muito bem sucedida CEO da Mattel Jill Barad, ela colocou a luva e só precisou de um golpe para nocautear o adversário, ela empolgada, disse,” isso é incrível”, “vamos fechar.”

A Mattel tinha conexões no mercado, alta credibilidade por causa dos seus produtos, então em teoria foi grande parceria, mas isso já dava indicativos que poderia ser ruim, Jill, ficou tão animada com a nossa manopla que já queria que ela se apresentasse na CES em 3 meses, CES é a famosa exposição de entretenimento que nós conhecemos hoje como a E3.

AEG desesperada, no momento sem saber o que fazer, teve uma ideia controversa, sabendo que não poderia desenvolver uma demo decente, o que eles fizeram:

AEG contratou um ator infantil que tinha uma variação da Data Glove para fingir estar jogando com ela, fazendo os movimentos combinados com a equipe da Mattel no console Amiga.

E todo mundo caiu igual a um patinho, infelizmente, mas a Mattel conseguiu a sua validação de mercado dos lojistas que fizeram filas e filas para fazer a pré-compra. Foram feitas mais de 700 mil ordens de compras, a maioria foi de supermercados grandes e lojas de brinquedos.

Passou-se um tempo e finalmente a Luva do Poder, a Power Glove, ficou pronta e aprovada pela nintendo, junto da luva, era necessário colocar sensores em volta da tv para que eles captassem as ações da luva, muito parecido com o kinect não concorda? apesar da dinâmica, mesmo os acessórios colocados na tv serem totalmente diferentes.

Como estratégia de marketing, a Nintendo junto da Mattel, resolveram lançar o filme chamado “The Wizard” que tem como estrela mirim Fred Savage, sim, o rapaizinho dos anos incriveis, que por sinal é uma incrível série que retratou muito bem os anos 60, assisti bastante na infância na TV Cultura.

Apareceram também Christian Slater, o Mr. Robot, uma série de TV de Sucesso.

De forma não creditada, Toby Maguire apareceu no filme, o cabeça de teia mais querido.

Toda crítica especializada em filmes deixou claro que se saíssem de casa ao cinema para assistir este filme, era só para assistir o comercial da Nintendo sobre a Power Glove, por mais de 1 hora

Porque a nossa manopla não deu certo?

Era complicado já encaixar a power glove na tv, ainda mais ter que calibrar ela antes de jogar, pois assim como você tem que calibrar no kinect só que de uma forma bem mais facil, na nossa manopla não era bem assim, você tinha que digitar vários códigos no pequeno teclado da luva, era uma tarefa difícil.

Além dos dois motivos citados, a questão da jogabilidade era bem ruim, nos jogos óbvios como boxe ou agarrar e soltar, não existiam problemas, mas já em outros jogos como por exemplo futebol, bom… era bem difícil jogar.

Nenhuma criança iria fazer tudo isso.

Tentaram lançar um jogo depois de alguns anos do lançamento, mas já era tarde demais, o jogo estava sendo sepultado.

Mesmo com isso tudo, foi uma aventura lucrativa para todos, Nintendo, Mattel e AEG, foram vendidas mais de 100 milhões de dólares só neste acessório que demorou alguns anos para deixar de ser vendido.

Só não foi lucrativo para VPL Pesquisa, que depois de alguns anos, faliu e foi incorporada pela Sun Microsystems (que foi a criadora da linguagem de programação Java) e o software VirtualBox, que hoje se chama ORACLE.

Com as boas vendas, a Mattel pensou em fazer uma sequência da Power Glove, ela iria se chamar Turbo Glove, onde teria uma luva bem mais leve, sem teclado, sem muitas configurações antes de jogar, poderia dar certo, mas a Mattel desistiu do projeto.

Depois de quase 30 anos desde o seu lançamento, a Power Glove continua viva nos fóruns de hacks de hardware seja para fazer música, animação ou suporte de software independente, Thomas Zimmerman foi um vanguardista, um visionário, que infelizmente não ganhou o dinheiro que merecia, talvez ele tenha diminuído seu projeto quando a Atari disse que não valia muita coisa, podemos aprender que não podemos nos abalar por causa de uma pessoa que não gostou do nosso trabalho.

O clássico caso Tesla vs Edison, brilhante cientista, empresario com habilidades de negociação que precisavam de melhora.

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Vlw.

Video inspirado no canal @WrestlingWithGaming

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